Mini Maker Faire Lisboa – parte I

Espetacular! É esta a palavra que melhor descreve a Mini Maker Faire Lisboa, espetacular! 🙂 Foram 3 dias em que mais de 100 Makers portugueses estiveram reunidos no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa, a partilhar conhecimento e a expor os seus fantásticos projectos aos cerca de 12000 visitantes da feira, um número que superou largamente todas as expectativas.

Lisbon Mini Maker Faire logo neopixels

Antes da Maker Faire: o começo

Já muitas vezes a organização de uma Mini Maker Faire em Portugal tinha surgido em conversas no eLab Hackerspace mas por motivos persos nunca passou de conversa. Felizmente, não fomos os únicos a sonhar com isso e houve um outro grupo de pessoas que acabou por tornar esse desejo realidade. E repito, felizmente que o fizeram, não apenas porque o fizeram mas porque acho que ninguém o teria feito melhor. Celso Martinho, que já vinha a organizar os Portuguese Makers Hangouts, juntamente com a sua equipa da SAPO e em parceria com a equipa do Pavilhão do Conhecimento deu o passo em frente e submeteu a candidatura para organização do evento à Maker Media, detentora dos direitos sobre os eventos “Maker Faire”, que veio a ser aprovada poucos meses depois e anunciada ao público na sessão Portuguese Makers, em que tive oportunidade de participar e que decorreu no palco principal do Codebits 2014, o maior evento de tecnologia e em Portugal, organizado pela SAPO. Estava dado o “apito inicial”. 🙂

 Contagem decrescente para a Maker Faire: tic tac tic tac

Seguiram-se cerca de 5 meses de trabalho, tanto para a organização como para os Makers que pretendiam ir expor os seus projectos. Durante este período tive o prazer de fazer parte da equipa de curadores da Lisbon Mini Maker Faire e participar na avaliação de cada um dos mais de 100 projectos submetidos pelos Makers portugueses. Desta equipa faziam ainda parte André Almeida, co-fundador da Artica, Celso Martinho, co-fundador da SAPO, Eduardo Pinto, responsável pelos departamentos de inovação e R&D da SAPO, Filipe Valpereiro, fundador da Inmotion.pt, Francisco Mendes, co-fundador da BeeVeryCreative, Gonçalo Lopes, doutorando na Fundação Champalimaud, Hugo Silva, uma das mentes por trás do Bitalino, Leonel Alegre, gestor de projectos na Ciência Viva e Maurício Martins, fundador da Leds&Chips. Foi com grande prazer que vi a quantidade de projectos recebidos passar dos dois dígitos e ver que o espírito Maker está bem vivo em Portugal, não só pela quantidade, mas também pela qualidade dos projectos submetidos. Como curador senti-me ainda com a responsabilidade de pulgar o evento, e, como não podia deixar de ser, fazer com que todos os Makers da minha lista de contactos fossem à Lisbon Mini Maker Faire mostrar os seus projectos 🙂 .

Paralelamente, ia ainda fazendo o possível para terminar os projectos que tinha em curso para levar à Lisbon Mini Maker Faire: a terceira versão da minha CNC Caseira, TheMaker3; o HacKeyboard, um teclado mecânico e o MiRo, um robô móvel de 10Kg. Terminado tinha apenas o projecto dos Robôs Infante, já partilhado neste blog. À medida que ia diminuindo o número de dias até ao evento, iam acontecendo todos aqueles imprevistos de última hora que até não são assim tão imprevistos porque já se sabe que vão acontecer:

– A ponte H da placa controladora do robô MiRo misteriosamente queimou. Tive de me contentar em levar a versão anterior da placa controladora ainda por programar, coisa que pensei que iria conseguir fazer durante a Maker Faire mas não podia estar mais errado, porque com a quantidade de visitantes que houve não deu para parar um segundo.

– A segunda versão da placa de circuito impresso do HacKeyboard tinha um pequeno problema que afectava todas as teclas do teclado… fiz o brilhante erro de desenhar a footprint dos switches ALPS ao contrário e era impossível soldar os mesmos. Tive de redesenhar a placa e refazer a PCB. -.-‘ No entanto não tive tempo de soldar os componentes todos na PCB e levei o teclado desmontado, mas a funcionar na versão 2 da PCB.

– A TheMaker3 ainda estava bastante atrasada e a precisar de uma BeagleBone Black para a controlar. Qual o meu espanto quando vou encomendá-la e descubro que a mesma estava em falta de stock no mundo inteiro! Entrei em contacto com o Filipe Valpereiro da inmotion.pt que me enviou uma assim que voltou a ter stock (obrigado Filipe!), coisa que aconteceu a apenas 1 semana antes da Lisbon Mini Maker Faire. Chegada a BeagleBone Black, ainda precisava de uma placa para aumentar a corrente de saída dos pinos da mesma para conseguir activar ou desactivar os optoacopladores dos drivers dos motores. O Daniel Costa do blog Lógica da Mecatrónica tinha-me falado de uma Cape para BeagleBone que tinha comprado da Xylotex e uma vez que o tempo era escasso a solução mais rápida seria fazer um reverse engineering da placa dele, de maneira a ter o mesmo pinout para poder usar com a imagem do MachineKit usada pela Xylotex. Uma curta conversa no Facebook e lá vieram as fotos da dita Cape. Mais umas perguntas sobre referências dos circuitos integrados que não se viam bem nas fotos e fiquei com uma ideia geral do circuito presente na placa. (Obrigado ao Daniel pelas fotos e pela paciência a responder às perguntas! 🙂 ). Depois foi preciso encontrar componentes alternativos: lá fui encomendar amostras ao site da Texas Instruments, que chegam mais depressa do que se comprar os componentes numa loja 🙂 Isto de encomendar amostras à Texas Instruments na véspera dos eventos já começa a ser tradição… no Codebits 2014 até foram entregar as amostras ao recinto do evento 🙂 (um obrigado também à Texas Instruments pelas amostras em tempo recorde 🙂 ). Depois foi desenhar a placa, fazer a PCB, soldar os componentes e fazer alguns testes à PCB. Após os testes foi altura de ligar a BeagleBone Black com o cartão micro SD que o Nelson Neves (Obrigado Nelson!) tinha preparado para poupar tempo e verificar que por alguma razão o LinuxCNC nem estava a arrancar como deveria. Mais uma problema por resolver… E sim, isto aconteceu tudo no espaço de uma semana e não deu tempo para mais. A TheMaker3 foi para a Lisbon Mini Maker Faire sem nunca ter funcionado e sem dois dos drivers dos motores estarem montados, coisa que esperava fazer no primeiro dia da Maker Faire :P.

TheMaker3 CNC - ligações .JPG

eLab Hackerspace em excursão

Em simultâneo com tudo o que já mencionei decorriam ainda as questões logísticas no eLab Hackerspace: quem ia, quando ia cada um, quantos carros era preciso levar, onde íamos dormir, quem voltava mais cedo, etc. Se fossemos um grupo pequeno até seria simples… mas éramos 16 e por alguma razão os hóteis das redondezas com preços acessíveis não tinham quartos livres para todos. A solução acabou por ser o hotel ibis de Alfragide, nada perto mas com espaço para toda a gente e a preços acessíveis. Como não podia deixar de ser, também houveram alguns imprevistos de última hora, mas tudo acabou por se resolver. No total, os 16 Makers do eLab Hackerspace levaram 16 projectos à Maker Faire:

Para além dos responsáveis dos projectos, foram ainda os membros do eLab Hackerspace Fred Zabel, Dinis Miguel, Jorge Sacadura, David Lobato e Micael Viegas, que estiveram a dar apoio aos projectos do eLab Hackerspace. Apesar de não ter submetido o projecto, o David Lobato levou também o seu Nixie Tube Clock.

Nixie tube clock

Nixie Tube Clock made by David Lobato

Cliquem aqui para continuar a ler Lisbon Mini Maker Faire – parte II


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