Começar com a Raspberry Pi sem monitor, rato e teclado

Olá! Há algum tempo atrás fiz dois posts acerca da Raspberry Pi (A Raspberry Pi chegou! e Primeiras Impressões da Raspberry Pi) e infelizmente desde aí que tem estado fechada na sua caixa. Eu queria fazer alguns projectos com ela mas outros projectos metiam-se sempre no caminho e lá ia ficando esquecida. Finalmente comecei um projecto em que vou usar a Raspberry Pi e espero fazer alguns posts sobre vários aspectos do mini-computador enquanto trabalho nela. Para começar, vou-vos mostrar como começar a mexer na Raspberry Pi sem ter de conectar nenhum ecrã HDMI ou RCA e usando apenas o Ubuntu no vosso computador.
 
ambiente de trabalho da raspberry pi
 
A primeira coisa a fazer é arranjar um cartão SD de 4GB (ou mais) de classe 4. Cartões de marca são geralmente melhores e mais confiáveis. Se já tiverem um, então é tempo de prepará-lo para que possa ser usado na Raspberry Pi.

Primeiro devem formatá-lo para FAT32 para limpar quaisquer programas e ficheiros que o fabricante tenha colocado lá dentro. Para fazê-lo, podem usar o Gparted. Depois de ofrmatarem devem ir à Secção de Downloads do site da Raspberry Pi e fazer download da última versão da imagem da distribuição Rasbian “Wheezy”. Depois de fazerem o download da imagem terão de seguir o processo descrito abaixo:
  1. Verificar se a hash key do ficheiro zip é a mesma mostrada na página de downloads (opcional). Assumindo que o ficheiro .zip é colocado na pasta home (~/), executar no terminal:

    sha1sum ~/2012-12-16-wheezy-raspbian.zip
    • Isto irá imprimir um número hexadecimal bastante longo que deverá ser igual à linha “SHA-1” para a imagem de cartão SD que foi descarregada.
  2. Extrair a imagem com o seguinte comando:

    unzip ~/2012-12-16-wheezy-raspbian.zip
  3. RExecutar df para ver que dispositivos estão montados
  4. Colocar o cartão SD no leitor de cartões
  5. Executar df novamente. O dispositivo que não foi apresentado da primeira vez é o cartão SD. A coluna da esquerda apresenta o nome do cartão SD. O cartão será apresentado como algo do género “/dev/mmcblk0p1” ou “/dev/sdd1”. A última parte (“p1” ou “1”, respectivamente) é o número da partição, mas será necessário escrever no cartão SD inteiro, não apenas numa partição, pelo que será necessário remover essa parte do nome (obtendo, por exemplo “/dev/mmcblk0” ou “/dev/sdd”) como o nome que representa o cartão SD inteiro. É de notar que o cartão SD pode aparecer mais de uma vez na lista impressa pelo df: irá acontecer, por exemplo, se já tiver sido gravada uma imagem para a Raspberry Pi no cartão SD, pois as imagens para a RPi têm mais do que uma partição.
  6. Agora que já se sabe o nome do cartão SD, é necessário fazer a desmontagem do mesmo de modo que os ficheiros não possam ser lidos ou escritos enquanto a imagem está a ser copiada para o cartão SD. Deve executar-se então o comando abaixo, substituindo “/dev/sdd1” com o nome do cartão SD previamente identificado (includindo o número da partição)

    umount /dev/sdd1
    • Se o cartão SD aparecer mais do que uma vez na lista impressa pelo df devido à existência de múltiplas partições no cartão SD, deve fazer a desmontagem de todas as partições.
  7. No terminal, escrever a imagem no cartão com o seguinte comando, certificando-se que o argumento do ficheiro de entrada if= é substituído com o caminho para o ficheiro .img e o argumento “/dev/sdd” do ficheiro de saída of= é substituído com o nome correcto do dispositivo (isto é muito importante: podem arruinar o disco rígido do vosso computador se usarem o nome do dispositivo errado). Deve-se confirmar que o nome do dispositivo é o nome do cartão SD inteiro, tal como descrito acima, não apenas uma partição do mesmo (por exemplo, sdd, não sdds1 ou sddp1, ou mmcblk0, não mmcblk0p1)

    dd bs=1M if=~/2012-12-16-wheezy-raspbian2012-12-16-wheezy-raspbian.img of=/dev/sdb
    • É de notar que se não estiver com o login feito como root, terá que adicionar o prefixo sudo
  8. Remover o cartão SD do leitor, inseri-lo na Raspberry Pi, e começar a diversão 🙂
Agora arranjem um cabo Ethernet e liguem uma ponta à Raspberry Pi e outra ao vosso router. Por fim, peguem numa fonte regulada de 5V que consiga fornecer pelo menos 0.7A (talvez o carregador do vosso telemóvel tenha estas características) e liguem-no na ficha micro USB da Raspberry Pi. Deverão começar a ver alguns LEDs a piscar na placa, o que significa que está a arrancar :). Esperem cerca de um ou dois minutos para que acabe de arrancar. Depois disso acedam à página de configuração do vosso router e na secção relativa à rede local deverão ser capazes de descobrir qual foi o endereço IP que foi atribuído à vossa Raspberry Pi. Se o router mostrar vários dispositivos sem mostrar os nomes deles, terão de tentar todos. Outra maneira é verificar quais são os IPs que estão atribuídos antes de ligarem a Raspberry Pi e verem novamente depois de a ligarem. O endereço novo que estiver ocupado será o que procuram :). Uma vez que a distribuição Raspbian vem com o SSH activado, poderão aceder à vossa Raspberry Pi por SSH usando o seguinte comando (substituam 102.168.0.13 com o IP da vossa Raspberry Pi):
ssh pi@192.168.0.1
Na consola irá provavelmente aparecer algum pedido por algum tipo de autorização. Escrevam “sim” e depois disso a Raspberry Pi irá pedir-vos a password para o utilizador “pi”. A password por defeito é “raspberry”.
Agora estºao finalmente a usar a vossa Pi através de SSH! 🙂 No entanto, podem preferir usar a RPi em modo gráfico. Para fazê-lo há essencialmente duas maneiras: uma é usar o redireccionamento do X11 através de SSH de maneira que de todas as vezes que abrirem um programa com GUI, o interface gráfico aparecerá no ecrã do vosso computador; a outra maneira é usar o VNC, que vos irá mostrar o ambiente de trabalho inteiro da RPi. Se se conseguirem desenrascar bem com o terminal, eu aconselho-vos a usar a opção de redireccionamento por SSH. Se, por outro lado, se sentirem mais à vontade com o interface gráfico, então o VNC é a opção certa para vocês.
Para usarem o redireccionamento de X11 através de SSH só têm de inserir o parâmetro “-Y” quando estabelecem a ligação SSH:
ssh -Y pi@192.168.0.13
A partir do momento em que iniciarem as sessões com o parâmetro “-Y”, todos os programas com GUI irão aparecer no vosso computador.
Para usar o VNC é preciso fazer mais alguns passos mas também é muito fácil. Primeiro têm de fazer login na Raspberry Pi com SSH, como descrito acima, e depois terão de instalar um servidor VNC:
sudo apt-get install tightvncserver
Depois de o instalarem, terão de o iniciar:
vncserver :1 -geometry 1024x600 -depth 16 -pixelformat rgb565
A primeira vez que iniciarem o servidor, o mesmo pedir-vos-à para escolherem uma password, que será usada daí em diante sempre que pretenderem aceder por VNC. Escolham uma a vosso gosto. Por fim, terão de iniciar um cliente VNC no vosso computador para aceder ao servidor que acabaram de iniciar. O Ubuntu 12.04 traz um cliente VNC chamado Vinagre. Iniciem o cliente, carreguem em “Connect”, escolham “VNC” na lista de drop-down “Protocol” e insiram o seguinte no campo “Server”: “192.168.0.13:5901” (susbtituam o endereço com o endereço da vossa Raspberry Pi, mas mantenham a porta).
Quando o programa vos pedir uma password, metam a mesma que escolheram quando iniciaram o servidor e, depois de autenticados, verão o ambiente de trabalho da Raspberry Pi a aparecer no vosso ecrã! 🙂
E, com isto, chegámos ao fim deste curto tutorial de como começar com a Raspberry Pi sem ecrã, rato e teclados extra. Espero que tenha sido útil e espero publicar mais coisas relacionadas com a Raspberry Pi em breve! 🙂
 
Até ao próximo post! 🙂

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