Um telemóvel Android selvagem aparece… Huawei Ideos X3

Há uns tempos atrás estava no laboratório a programar umas coisas de visão computacional quando o meu orientador de doutoramento me mete um Huawei U8510 Ideos X3/Blaze em cima da mesa. Tinha-o encontrado no caminho para a Universidade a ser “atropelado” por carros. Achou que eu podia tirar peças do telemóvel para alguma coisa e então decidiu levar-me o telemóvel. No início pensei que sim, poderia tirar algumas peças mas não seriam fáceis de aproveitar. Não tinha bateria nem capa traseira e alguns riscos no ecrã. Contudo, decidi ligá-lo ao cabo mini USB e verificar se ainda funcionava. Para meu espanto, não é que funcionava mesmo? Ao ligar o cabo apareceu o logo Ideos no ecrã e o Android começou a iniciar.
 

telemóvel android huawei ideos x3 ligado

Ele iniciou mas depois apareceu o bloqueamento de padrão do android, impossibilitando-me de fazer o que quer que seja. Tentei procurar por alguma maneira de contornar a situação, mas não tive sorte. Tive que partir para um reset de hardware. Após mais alguma pesqeuisa no Google finalmente encontrei uma forma de o fazer. Ao ligar o telemóvel, se se carregar no botão de Power e no botão de aumentar o volume por alguns segundos faria aparecer o menu de boot e então seria apenas uma questão de escolher a opção do reset de fábrica. Após mais alguns segundos lá estava eu a experimentar uma versão limpa do Android 2.3.3.

Estava contente só de pensar que tinha um novo telemóvel para fazer umas experiências e fazer uns projectos mas após mais alguns testes acabei por descobrir que a parte de radiofrequência do telemóvel estava morta… o WiFi, o Bluetooth, o GSM/3G e o rádio FM não davam sinais de vida 🙁 Apenas o GPS, o acelerómetro, a bússola, o ecrã, a câmara, o leitor de cartões SD, o interface USB e o interface de áudio funcionavam. É difícil arranjar uma maneira de usá-lo sem quaisquer outros meios de ligá-lo a outros dispositivos mas acabei por encontrar inspiração no Romo, the Smartphone Robot, no Kickstarter e pensei em fazer algo do mesmo género, mas sem as ligações remotas. Algumas pessoas gastam montes de dinheiro em arduinos, PIC,s módulos de comunicação e sensores para construir pequenos robôs e tendo isso em conta pensei… porque não usá-lo como “cérebro” de um robô? Tem um processador de 600 MHz, muita memória, muito espaço de armazenamento usando o slot para cartões micro SD, uma câmara, um GPS, um acelerómetro, uma bússola magnética, um ecrã e um interface de áudio, tudo acessível e programável com uma interface de programação de alto nível, o Android SDK. Muitos hackers, makers e artistas “matariam” para ter algo assim nas mãos a custo 0!
 
huawei_ideos_x3_on.jpghuawei_ideos_x3_off.jpghuawei_ideos_x3_back.jpg
Outra coisa que encontrei como hipótese para estabelecer uma conexão com o telemóvel foi o Google Android Open Accessory ou Google Android Development Kit (ADK). Contudo, pelo que li, teria que actualizar a versão do Android para a 2.3.4.
 
O que pensas? O que farias com o telemóvel? 😉
 
Actualização (09/01/12): Actualizei a ROM do telemóvel da ROM original da Vodafone, que é Android 2.3.3, para a stock ROM UK Tesco ROM, que é Android 2.3.5 com o kernel 2.6.35.7-perf. Para fazer a actualização bastou fazer unzip do ficheiro e copiar a pasta dload para a raíz do cartão micro SD e depois ir a Definições>Armazenamento>Actualização de Software>Actualização a partir do cartão SD. Após a actualização tentei instalar a aplicação ArduinoTerminalBeta.apk do site Circuits@Home mas apenas obtive a mensagem “Application not installed”. Começo a pensar que o Google Android Open Accessory apenas está disponível para as versões 2.3.4 e iguais ou superiores à 3.1. Talvez não esteja disponível para as versões entre estas 🙁 Quem sabe?
 
Enquanto procurava por informação acerca do Google ADK acabei por descobrir este excelente post que tornou tudo bastante mais claro: esquecer o Google ADK e arranjar uma USB Host Board ou uma IOIO board e usar a Android Debug Bridge (ADB) que é suportada em todos os telemóveis Android desde a versão 1.5! Parece-me que o MicroBridge é um bom caminho a seguir! 🙂

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